Cuiabá 19/11/2018
Busca:  
 Home
 Últimas Notícias
 Cidades
 Política
 Esporte
 Polícia
 Meio Ambiente
 Turismo
 Agronegócio
 Mundo
 Artigos
 Aúdio e Video
 Galeria de Fotos
 Quem Somos
 Fale Conosco
Tunel do Tempo
 
Aquecido "Triângulo da Lavagem"

 Denuncias
 Enquete


Meio Ambiente
O risco dos incêndios florestais para a saúde humana

Um avião DC-10 despeja retardador de fogo ao longo do topo de uma colina para proteger dois tratores que estavam na direção do incêndio florestal no complexo de Mendocino, perto de Lakeport, na Califórnia, EUA (Foto: Fred Greaves/Reuters)


 

Os pitorescos condados de Napa e Sonoma, na Califórnia, são dois dos lugares onde há imóveis mais caros para se comprar ou alugar em todos os Estados Unidos. Não sei exatamente o que significa isso em valor monetário, mas acho que qualquer cifra que eu pudesse calcular aqui seria demasiado alta para qualquer um de nós - cidadãos comuns e não bilionários - alcançarmos. Trata-se de uma região que fica muito próxima a florestas, o que a torna essencialmente mais assediada pelos humanos cansados de conviver com tanto asfalto e poluição característicos das grandes metrópoles.

Ocorre que essa proximidade nem sempre é apenas bucólica e não será, certamente no caso da Califórnia e em outros tantos, sem ônus para os moradores. Napa e Sonoma, só no ano passado, foram palco de incêndios florestais de mega proporções que põem em risco a vida das pessoas além de destruírem a biodiversidade e espalharem uma nuvem de fumaça que causa problemas sérios de saúde nos moradores.

Mais de mil quilômetros longe dali, em Seattle, estado de Washington, pela segunda semana consecutiva os incêndios florestais estão tornando a qualidade do ar pior do que o de Pequim, cidade chinesa conhecida pela poluição atmosférica. Nos Estados Unidos, este ano, quase dois milhões de acres de terra se queimaram em 109 incêndios que vitimaram 12 estados. Uma característica do fenômeno produzido este ano está chamando a atenção dos estudiosos do assunto: o clima de Seattle geralmente sempre foi capaz de lidar “sozinho” com a fumaça dos incêndios, comuns na região por conta da seca em determinados períodos do ano. Agora, no entanto, isto não está acontecendo porque a região permaneceu seca e quente por muito mais tempo do que normalmente.

O risco maior à saúde humana vem das partículas menores formadas pela fumaça, que podem causar inflamação nas vias aéreas superiores, asma e até câncer. Uma reportagem no site “Vox” diz que respirar o ar de Seattle hoje é como fumar sete cigarros por dia. E ensina a usar direito as máscaras que podem evitar as doenças. Cenas que, há cerca de uma década ou duas, eram restritas a filmes de ficção científica. Saíamos das salas de cinema com a sensação de que seria muito ruim viver “num mundo desses”.

Estamos exatamente nesse mundo, já respirando com máscaras, e muitos de nós ainda se surpreende.

No caso da Califórnia, ela está enfrentando o maior incêndio registrado no estado. Mas este ano também foi pródigo em incêndios florestais na Europa, desde o norte até o sul da costa do Mediterrâneo. E a província canadense da Colúmbia Britânica declarou estado de emergência, já que milhares de bombeiros combatem mais de 500 incêndios florestais com pouco alívio à vista , segundo reportagem do jornal “The Guardian”, onde se lê também que mais de três mil bombeiros foram acionados e estão trabalhando para conter o fogo.

O que se observa, a partir dos comentários dos especialistas ouvidos pelas equipes de reportagens é que os incêndios, que sempre existiram, a cada ano têm começado mais cedo. Mudanças climáticas são responsáveis pelo fenômeno, já que chove menos em algumas regiões e os ventos estão mais fortes também.

Mas é importante observar que, para além disso, o que há é uma recorrente displicência dos humanos com os sinais que a natureza está enviando. E isso não é conversa de militantes ambientalistas radicais. Construir edificações – milionárias ou não – próximo a áreas que são vulneráveis a incêndios é mais ou menos como não levar em conta, também, que o mar está se elevando e que as águas poderão arrasar tudo o que for erguido em regiões litorâneas.

Só para ilustrar o que está sendo dito: um estudo publicado no início do ano passado no Proceedings of National Academies of Science, ou PNAS, descobriu que 84% dos incêndios florestais dos Estados Unidos são causados por seres humanos, seja através de linhas de energia derrubadas, fogueiras descuidadas ou incêndios criminosos.

Embora a temporada deste ano esteja mais branda do que a do ano passado em termos de queimadas até hoje no planeta, sabe-se que os incêndios de hoje estão 30% mais fortes do que a média da última década.

Construir perto de florestas, ou nelas, certamente pode levar o cidadão a ter uma melhor qualidade de vida, mais perto da natureza, dos pássaros. Mas este sonho bucólico também exige um plano de manejo que pode levar a incêndios, dizem especialistas. As crescentes ondas de fogo que se está observando agora estão longe de ser apenas uma força da natureza. As chamas deste ano se destacam, particularmente, pelo tamanho e pela proximidade das áreas povoadas, produzindo redemoinhos de fogo com ventos de tornados. Um perigo, sob todos os aspectos.

“Em quase todas as etapas, a atividade humana exacerbou os riscos, os danos e os danos causados pelos incêndios. Esses riscos continuam aumentando, o que significa que o futuro é mais perigoso, frequente e dispendioso para vastas áreas dos Estados Unidos”, diz o texto do site Vox.

Há várias táticas que os bombeiros estão usando para evitar que o fogo comece, como sistema de alerta precoce para riscos de incêndio e evacuação obrigatória, além de evitar que se corte a vegetação que, por si só, pode evitar incêndios. Mas o mais complicado, sem dúvida, como bem dizem os especialistas ouvidos pela reportagem do Vox será mudar comportamentos e reduzir estímulos para que as pessoas não construam ou reconstruam em regiões sujeitas a incêndios.

“ Muitos proprietários de imóveis prejudicados pelos incêndios do ano passado estão fincando raízes nas mesmas regiões propensas ao fogo, seja por causa de pagamentos de seguro ou porque não têm para onde ir”, escreve o repórter Umair Irfan.

Já conhecemos este filme. Aqui nos trópicos, o mal vem dos céus, de tempestades. E muita gente que teve seu território arrasado pelas enchentes também volta, muitas vezes por falta de opção de moradia.

São tempos difíceis, mas vai ser preciso que nossa civilização passe a ter uma outra organização a fim de poder atravessá-los sem muitos danos.

 

Autor: Por Amelia Gonzalez, G1
Data: 28/08/2018
Noticias da Sessão: Meio Ambiente
» Metal nas nuvens: PJC deflagra operação contra empresas suspeitas de crime ambiental
» Aripuanã: Departamento que regula mineração diz que garimpo é forte agressão ambiental
» Garimpo em Aripuanã é batizado de nova 'Serra Pelada' e começa atrair centenas de pessoas
» Floresta derrubada: Sema faz maior apreensão de madeira dos últimos 10 anos
» Como reinventar uma usina gigante movida a carvão para produzir energia verde?
» Campo Novo do Parecis: Campus do IFMT é evacuado às pressas por causa de fogo em canavial - veja fotos e vídeos
» Distrito de Mimoso: Incêndio em Distrito de Leverger completa 5 dias matando animais e vegetação
» Incêndio ameaça parque de Chapada dos Guimarães - veja vídeos
» O risco dos incêndios florestais para a saúde humana
» Sema aplica multa de R$ 5,7 milhões e embarga usina após acidente ambiental - veja fotos
» Toneladas de lixo são retiradas de praias na República Dominicana
» Holanda: Porto de Roterdã comunica vazamento 'considerável' de óleo
» Indígenas do Xingu falam sobre mudanças climáticas em documentário precioso
» Grande Barreira de Corais resistiu a cinco eventos de quase extinção, diz estudo
» Após seis anos de seca severa no Nordeste, chuva muda a paisagem
 
Tempo
 
Copyright © 2008 Todos os direitos reservados ao NavegadorMT.